“Isso significa que o atual vírus conseguiu escapar de
algumas barreiras no mosquito e chegou à glândula salivar”, explicou a
pesquisadora durante o workshop A, B, C, D, E do vírus zika. No
encontro, ela apresentou resultados preliminares da investigação que
levaram à disseminação do vírus para a glândula salivar do mosquito, por
onde aconteceria a transmissão da doença para humanos.
“Para concluir isso (em definitivo), só falta identificar em
campo a espécie de mosquito infectada com o vírus da zika”, ressaltou a
bióloga que ingressará com a nova fase da pesquisa, partindo para
análise do material de campo que está sendo coletado para chegar a uma
conclusão – em seis a oito meses.
“Nas casas e onde acontecem registros do vírus estão sendo
coletados mosquitos das duas espécies. Trazemos esse material para o
laboratório e fazemos os testes moleculares para detectar o vírus nessas
espécies. Tendo realizada uma grande quantidade de amostras, poderemos
ter uma ideia se o Aedes é o vetor exclusivo, se existem outros vetores e
qual a importância de cada um na transmissão”, afirma.
Cautela
Apesar do achado, especialistas dizem que o fato de o Culex ser “infectável” não indica obrigatoriamente que ele possa transmitir zika. “O experimento ainda é muito preliminar”, disse Margareth Capurro, bióloga do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
O assunto também foi discutido ontem nos Estados Unidos. Em
debate sobre o combate à zika realizado na sede da Organização
Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington, o coordenador do Centro de
Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, afirmou que
será preciso pesquisar mais para descobrir se o vírus pode ser
transmitido pelo Culex.
“A possível transmissão não está descartada, mas ainda
precisa ser provada. É uma das questões que ainda não sabemos
responder”, ressaltou. “Diversos estudos estão sendo levados adiante e
as análises ainda estão sendo reunidas por entomologisatas e outros
especialistas”, afirmou Buss.
No mesmo evento, a Opas informou que há 134 mil casos suspeitos de zika no continente e 2.765 confirmados. A organização destaca que, pelo fato de 80% das vítimas serem assintomáticas e ainda existir dificuldade de diagnóstico, esses números não representam o surto. (Colaboraram Fabiana Cambricoli e Fábio de Castro). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.