Mais
de cem homens da Polícia Militar cercaram a fazenda Paraíso, em
Mogeiro, desde as primeiras horas e hoje, para tentar concluir despejo
que teve início da semana passada e não foi concluído porque os
posseiros que estão na área resistiram.
“Existia a promessa do juiz que expediu a ordem de despejo, de que hoje seria realizada uma reunião entre Incra, proprietário
das terras, Comissão Pastoral a Terra, e trabalhadores para tentar um
acordo.Mas, o que estamos vendo é que nada foi cumprido e a situação é
preocupante, uma vez que os trabalhadores irão resistir ao despejo e irá
haver confronto com a polícia”, alertou o deputado.
Na quinta-feira da semana passada, durante a ação
de reintegração de posse, dois tratores destruíram várias casas de
taipa, plantações de macaxeira, milho, hortaliças e vários outros
produtos orgânicos e diversas outras culturas.
Frei Anastácio disse que depois de mais
de 40 anos de luta, ao lado dos trabalhadores, nunca havia presenciado
situação semelhante. “Foi triste ver casas sendo destruídas, plantações
sendo arrancadas pelos tratores, animais mortos e os posseiros sem poder
fazer nada. E hoje irá acontecer a mesma coisa. Espero que haja bom
senso para evitar mortes no local”, descreveu o deputado.O petista disse
que dos trinta hectares de plantações dos posseiros, foram destruídos
mais de dez hectares de várias culturas, na semana passada.
A fazenda Paraíso é ocupada por
cerca de 50 posseiros que moram nas terras há muitos anos. Segundo Frei
Anastácio, muitos dos posseiros moram na fazenda há mais de 50 anos. “O
que essas famílias estão reivindicando é o direito à terra onde eles
nasceram e cresceram.
O conflito teve início este ano, com a proibição do proprietário, Zé
Guilherme, dos trabalhadores continuarem plantando, uma atividade que
eles desenvolviam desde que nasceram na terra ”, explicou o deputado. Os
posseiros são assistidos pela Comissão Pastoral da Terra, que está
acompanhando todo processo de luta dos trabalhadores e trabalhadoras.
Ascom do Dep. Frei Anastácio